Bem-aventurados os que sonham. Chama-os Deus poetas.*

quarta-feira, 20 de março de 2019

SELEÇÃO DE TROVAS TEMA OUTONO


Resultado de imagem para OUTONO

Com mágoas não perco o sono
e sigo, alegre, a cantar
pisando as folhas de outono
que enfeitam meu caminhar!
Antonio Juraci Siqueira – Belém/PA


A idade é, por excelência,
a grande mestra do amor.
– É no outono da existência
que a paixão tem mais calor!
A. A. de Assis – Maringá/PR


Nossas bocas se encontrando,
lembram, no outono da vida,
duas saudades buscando
a primavera perdida !
Almerinda F. Liporage (Tita) - Rio de Janeiro - RJ


Foste a pior das escolhas...
e no outono, em meus cansaços,
eu me sinto uma das folhas
que despencou dos teus braços.
Almerinda F. Liporage (Tita) - Rio de Janeiro - RJ


Pleno outono ... e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.
Edmar Japiassu Maia - Rio de Janeiro - RJ


Folhas multicoloridas
lembram peças de artesão,
pois no outono, desprendidas,
formam tapetes no chão
Alba Helena Corrêa - Niterói/RJ


Ressequidas e revoltas,
rolando sem direção,
lembranças são folhas soltas
no outono do coração.
Marina Gomes de Souza - Bragança Paulista/SP


Refaça ilusões frustradas!...
O outono nos dá a lição:
- Com folhas secas, pisadas,
tece tapetes... no chão!
Therezinha Dieguez Brisola - São Paulo/SP


A humanidade parece
- neste nascer e morrer -
folha de outono que desce
ao chão, pra outra nascer.
Célia Guimarães Santana - Sete Lagoas


Quando a folha seca e muda
segue no seu abandono,
ela abraça o vento e ajuda,
com arte, a pintar o outono.
Lúcia Sertã – Nova Friburgo – RJ 


Se despe a vegetação
da folhagem ressequida
é que é outono - a estação
dos doces frutos da vida.
Adamo Pasquarelli – S. J. dos Campos/SP


Folhas migradas de outono,
tais quais meus sonhos trincados,
vagam pelo chão, sem sono,
à demanda de outros prados...
Dáguima Verônica – Santa Juliana/MG


O Outono ordena: ”Ao trabalho!”,
e o vento, sem mais escolhas,
desnuda galho após galho,
vestindo as ruas de folhas.
Darly O. Barros – São Paulo/SP


As folhas, antes viçosas,
da natureza o pulmão,
inda mostram-se graciosas
mesmo pisadas no chão!
Francisco José Pessoa – Fortaleza/CE


Mesmo no outono da vida
continuo a caminhar,
piso a folha ressequida;
mas há luz em meu olhar!
Gislaine Canales – Balneário Camboriú/SC


Ressequidas e revoltas,
rolando sem direção,
lembranças são folhas soltas
no outono do coração.
Marina Valente – SP


Numa profusão de cores
vem o outono, sedutor,
inspirar os sonhadores
num convite para o amor.
Eliana Jimenez – Balneário Camboriú/SC

domingo, 7 de outubro de 2018

TROVAS DESTACADAS

Trovas de Eliana Jimenez

Líricas/Filosóficas


As paixões têm seus segredos,
profundezas intocadas,
protegidas por rochedos
em distantes enseadas.


Ser feliz eu me propus
e segui esta verdade:
quem semeia a própria luz
colhe sempre claridade.


Todo mal eu minimizo;
ao sorrir, espalho o bem.
Quem põe num rosto um sorriso
sorri na alma também.




Se sou alvo, não me oponho,
a coragem dá franquia.
Quem na vida tem um sonho,
faz dos dardos fantasia.




Em versos de mil facetas
eu componho o meu intento:
com rede de borboletas
caço palavras ao vento.




Rios sujos, aviltados,
uma floresta abatida
mostram falta de cuidados
com a nossa própria vida.




Sem ação, ensinamento,
obra alguma a ser lembrada,
quem passou tal qual o vento
só viveu, não deixou nada.


Nas grandes tramas de amor,

o livro é ponte, em verdade,
que liga o autor ao leitor
em doce cumplicidade.



Se a vida me põe à prova,
eu aceito o desafio:
do infortúnio faço trova
e a tristeza ludibrio.


Humorísticas


Na vida e no galinheiro
o machão já entrou na linha;
lá do alto do poleiro
canta de galo... a galinha.


Vida boa, de ricaça,
passa o dia enchendo o bucho:
morar em sebo, pra traça,
é condomínio de luxo.


Uso o wi-fi do meu vizinho.

Sou esperto, uma raposa;
senha fácil... coitadinho:
é o nome da minha esposa!


domingo, 3 de setembro de 2017

Trovas premiadas destacadas tema CHAVE



Dentre as culpas, a mais grave
que tiveste ao ir embora,
foi fechar meu peito à chave
e jogar a chave fora...
Izo Goldman

Minhas mágoas mando embora,
bem antes que a dor se agrave...
Jogo a tristeza lá fora,
tranco a porta... e escondo a chave!
Marilúcia Rezende

Em meu peito ponho escoltas
contra um amor sem razão,
dando, de vez, duas voltas
na chave do coração!
Amália Max

Se pudesse, eu abriria
as portas do coração,
mas a chave - que ironia -
se perdeu numa ilusão...
Marisa Vieira Olivaes

Ante o mais grave problema,
escuta, sempre, a razão,
que a chave da tua algema
pode estar na tua mão!
Antonio Juraci Siqueira

Cantiga que me transporta
da angústia ao sono da paz
é o som da chave na porta
e teus passos, logo atrás!
Almerinda Liporage


Fonte: http://www.falandodetrova.com.br/







quarta-feira, 30 de agosto de 2017

TROVAS PREMIADAS DESTACADAS

XXII JOGOS FLORAIS DE POUSO ALEGRE (1999)

TEMA: ESPERANÇA - Âmbito Nacional/Internacional

Minha esperança é candeia
que, afrontando vendavais,
teimosamente, norteia
os meus pontos cardeais.
Darly O. Barros - São Paulo

Respeita o empenho constante,
o eterno recomeçar
de quem erra e segue avante,
na esperança de acertar.
Maria Helena C. M. Duarte - São Paulo

No viver o que mais cansa
são estas andanças vãs,
correndo atrás da esperança
e perseguindo amanhãs.
Izo Goldman - São Paulo

Sem me curvar à derrota,
nenhum desalento esboço,
e à esperança mais remota
respondo bem alto: - Eu posso!
Lourdes P. F. Guthrod - Rio de Janeiro

Se a minha esperança dorme,
e o sonho me vai fugindo,
vem outra esperança enorme,
e acorda a que está dormindo..
Fernando Teófilo

Nas odisséias da vida,
essa inquietante jornada,
esperança é mão erguida
que norteia a caminhada!
Marisa Vieira Olivaes - Porto Alegre / RS

Coração, mar insondável,
onde, entre a dor e o prazer,
cresce a esperança indomável
que se recusa a morrer.
Maria Helena C. Duarte - São Paulo



terça-feira, 29 de agosto de 2017

TROVAS PREMIADAS DESTACADAS

X CONCURSO DE TROVAS DE PINDAMONHANGABA - 2000

AMBITO NACIONAL - TEMA: "PASSADO"

Voltaste, mas teu regresso
não era mais esperado;
eu preferia, confesso,
tua saudade... e o passado!
ZAÉ JÚNIOR (SÃO PAULO/SP)

Eu sei que deu tudo errado
neste amor de insensatez...
Mas, se voltasse ao passado,
eu erraria... outra vez !
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA (SÃO PAULO/SP)

Passado... viva candeia,
embora há muito afastado,
um livro que se folheia,
que não se guarda fechado.
MARIA HELENA CALAZANS M. DUARTE (SÃO PAULO/SP)

Se foi alegre ou foi triste,
se vai distante ou recente,
o passado sempre insiste
em deixar marcas na gente.
THEREZA COSTA VAL (BELO HORIZONTE/MG)

Se meu sonho angustiado
na saudade se acoberta,
eu fecho a porta ao passado
mas... deixo uma fresta aberta!
CAROLINA RAMOS (SANTOS/SP)

Tendo a saudade ao meu lado,
numa constância sem fim,
eu não vivo do passado,
é ele que vive em mim !
CAROLINA RAMOS (SANTOS/SP)



sexta-feira, 28 de julho de 2017

TROVAS PREMIADAS DESTACADAS

XXVI CONCURSO NACIONAL DE TROVAS DE PINDAMONHANGABA - 2016
           TEMA   NACIONAL- PARTIDA

Este é o sentido, afinal,
de toda e qualquer partida:
para o bem ou para o mal,
nova etapa... nova vida!
Maria Helena de O. Costa.
( Ponta Grossa-PR)

Minha vivência, partida
em mil cacos de tristeza,
fez,de partidas na vida,
mosaicos de fortaleza !
Dodora   Galinari.
( Belo Horizonte-M.G.)

Se a partida é dolorida
para quem fica a esperar,
dói muito mais quando a vida
não deixa quem foi... voltar.
Margarida Tanini.
( Juiz de Fora-M.G. )

Esquecer tua partida
eu desejo, sem revolta,
mas a saudade atrevida
volta-e-meia grita:-“ Volta!”.
Ercy Maria  M. de Faria.
( Bauru-S.P.)

Valente, na despedida,
ao desalento me oponho.
Pior que a tua partida
foi ver partir mais um sonho.
Wanda de Paula Mourthé.
Belo Horizonte-M.G.

Se existe amor de verdade,
como dói uma partida!...
É uma troca de saudade
durante o resto da vida!!!
Ercy Maria M. de Faria

( Bauru-S.P.)

terça-feira, 11 de julho de 2017

Homenagem à Dorothy Jansson Moretti


Poetisa e professora, assídua participante da
 Trova-legenda.
Amiga carinhosa que partiu em maio de 2017,
deixando muitas saudades.


Tão rápida corre a vida,
mas tendo-a presa a um cordel,
a gente a quer, submetida,
como pipa de papel.

Baixa o nível, cada dia,
e a cada marca atingida,
a água, em lenta agonia,
leva também... nossa vida.

Ao fascínio do dinheiro
tão nefanda é a tentação,
que até o homem bom, e inteiro,
titubeia ao dizer...”Não!”

Deslumbrada a cerejeira,
lenta, despe-se vaidosa,
espelhando-se, faceira,
no tapete cor de rosa.

A alegria da criança
é cenário colorido,
onde flutua a esperança
que empresta à vida o sentido.

Há na aliança desses braços
a força inata e louçã
que nos prediz entrelaços
de um lindo e claro amanhã!

Rompe os elos o Direito,
e unidas, enfim, as mãos,
arrasa-se o preconceito:
negro e branco são irmãos!

Velado à fumaça horrível,
agoniza um céu cinéreo
onde a ganância, insensível,
já pôs também seu império.

Há em tua carta carinho
e tanta ternura aliada,
que ao ler cada pedacinho,
eu já me sinto abraçada!

Leva o barco as nossa mágoas,
sulcando as ondas, além,
mas do outro lado das águas,
leva esperanças a alguém.

A cada golpe que malha
a rude pedra, o escultor
bendiz o cinzel que entalha
a estátua do seu amor.

Nunca mais o trem passou,
mas ouço-lhe ainda o apito...
O silêncio eternizou
a saudade do seu grito.

No sobe e desce da escada,
tenho a estranha sensação
que a vida é uma escorregada
no tobogã da ilusão.

Fotos, lembranças guardadas
no escrínio do coração,
nossas vidas perpetuadas
em pedaços de cartão.

Vendo as araras, serenas,
sobrevoando a floresta,
triste, eu pressinto que apenas
tão pouca vida lhes resta.

A Terra é azul!!!” Lá da altura
não se percebe a incoerência,
camuflada a cor escura
das guerras, droga e violência.

Passa o tempo, sem piedade,
mas o casal sonhador
celebra, em meio à saudade,
a eternidade do amor.

Beija a lua e foge o vento.
Receosa ela fita o mar...
e ele estilhaça, ciumento,
em mil cacos o luar.

Mostrando-me ao longe o porto,
a luz de um farol me anima,
e o meu poema... quase morto,
navega em busca da rima.

Do que agitou nossas almas
restam sonhos calcinados,
cingindo as crateras calmas
de dois vulcões apagados.